Costanza Pascolato por ela mesma!

Costanza Pascolato no SPFW

Costanza Pascolato no SPFW

 

Stefanie Archilli

A entrevista com a crítica de moda Costanza Pascolato (Revista Época – 04/07/09) merece ser lida e relida. Em uma extensa sequência de perguntas no formato ping pong (pergunta e resposta), Costanza mostra-se como uma mulher moderna que, de forma delicada, deixa as olheiras e as marcas do tempo escondidas.
Optou por não fazer plásticas ou tratamentos de pele para esconder os seus 69 anos. Ela apenas esconde-se por detrás de seus gigantescos óculos de sol. É assim, todos os anos nos desfiles da São Paulo Fashion Week.

Toda elegância e estilo dessa mulher, que nasceu com o nome de Costanza Maria Teresa Ida Clotilde Giuseppina Pallavicini Pascolato, para homenagear as tias e avós (costume da alta burguesia italiana da época), está presente em seu livro Confidencial, segredos de moda, estilo e bem-viver (Editora Jaboticaba).

Nele, ela ensina que falar palavrão, por exemplo, só dentro do carro ou em casa, sozinha. . E, para começar bem um guarda-roupa, uma calça de alfaiataria, uma pashmina (espécie de xale), uma camisa branca básica e um sapato de qualidade. Em alguns trechos do livro, ela relembra as loucuras que já fez para se manter magra e aproximar-se de suas divas do cinema clássico de Hollywood, como Ava Gardner.

Confira alguns trechos da entrevista dada a jornalista Laura Lopes.

CURIOSA

“Os artistas que, na época ainda eram outsiders na sociedade, me atraíam porque a vida deles era toda atormentada, aventurosa… Eu já achava interessante, e tudo o que era maldito eu lia, aos 10, 12 anos. O que eu não queria era ser convencional. Mas eu não era rebelde, não fazia o contrário ou tinha um comportamento agressivo”.

BONITINHA

“Porque se mergulhar nessa coisa de achar que é bonita, aí que você dança. Tive um marido que dizia o seguinte: “Não tenha medo das mulheres bonitas. Sempre tenha medo das mulheres feias, porque elas são mais hábeis”.

Na juventude

Na juventude

ESTILO

“O perigoso, para as pessoas comuns, é fazer tudo de uma vez. Querer parecer alguma atriz da novela e colocar tudo o que ela põe. Você tem que se inspirar em alguns pedaços daquela moça, que dão um tipo de imagem, mas completa com uma coisa que é sua. Aí fica pessoal. Eu sempre adorei a Audrey Hepburn. Para mim, é um modelo até hoje. Mas nunca fui a Audrey Hepburn, faço o que tem que fazer com meu nariz, com minha cabeça e com meu corpo.”

ÓCULOS DE SOL

“Primeiro, eu não enxergo; segundo, eu tenho fotofobia, e, muito importante, eu não quero que vejam minhas olheiras crescendo ao longo do dia. É mais estiloso do que óculos de grau – sem eles eu não consigo enxergar. E não consigo colocar lente porque tenho alergia.”

Hoje, aos 69 anos

Hoje, aos 69 anos

INVISÍVEL

“Se eu tivesse uma viseira do tamanho do meu rosto, eu colocaria, mas não para ser invisível, dito que as pessoas me notam em qualquer lugar. E nem porque eu estou querendo me esconder. Eu não quero que vejam os desastres do meu rosto, não é tão difícil de entender. Não é invisível.”

ATRASOS

“Agora, não é educado atrasar, sobretudo em almoço. Eu acho pior quando a gente tem que esperar uma hora porque um canal vai entrar ao vivo no desfile. Isso só tem no Brasil.”

BARATINHO

“Aliás, desde a época de vacas magras eu já comprava em lugares bem baratinhos, e era quase um desafio dizer “oba, eu consegui encontrar essa coisa aqui. Todo mundo está achando bacana”. Era quase uma brincadeira.”

SUPERAÇÃO

“Eu entrei em depressão profunda, em 1996. Câncer, em 93, e a queda, em 95. Sabe que eu não me lembro? Mas foi uma batalha, ficava muito fraca. Mas mais uma vez eu acho que fui privilegiada.”

CRENÇA

“Eu não estou interessada no que a igreja diz, “faça isso, faça aquilo”. Me interessa aqulio que eu acho que é a palavra ou o ritual, porque existe meditação cristã também, que nos leve a ter mais paz no coração. Que anule essa ansiedade que a gente vive nessa vida, que na verdade é a dúvida absoluta do que a gente está fazendo e como eu vou passar dessa para melhor. E já estou com 70, não tenho tanto tempo assim.”

ROMANCE

“Agora eu não quero saber mais (de romance). Fui casada quatro vezes, você acha que alguém aguenta mais? A questão é que estou com 70 anos, eu me acho super bem do jeito que estou. Mas para você realmente ser feliz com alguém, você tem que assumir a outra pessoa totalmente e ela te assumir, incondicionalmente. E isso não existe na minha idade. A gente não tem paciência”.

Dicas e pensamentos que estão no livro Confidencial, segredos de moda, estilo e bem-viver

 

- Tão fundamental quanto a elegância é o desejo de ter estilo. Para o escritor americano Gore Vidal, estilo é saber quem você é, o que quer dizer não dar a mínima para o resto.

- Nunca, portanto, tente copiar o estilo de alguém, imitá-lo literalmente. Estilo vem com certificado de autenticidade.

- “A roupa não leva a lugar nenhum. É a vida que você vive nela que leva” (Diana Vreeland, editora de moda)

- “O luxo tem de ser confortável, do contrário, não é luxo. As mulheres devem poder entrar num carro sem estourar as costuras. As roupas devem ter formas naturais” (Gabrielle Chanel)

- A ideia de tudo combinadinho − colar igual a anel, igual a pulseira, igual a brinco − há muito já foi abolida, e o que vale é o gosto pessoal com bom senso para manter equilíbrio e conforto.

- Encontrar a postura correta, sentar-se ou caminhar tranquilamente, expressar-se com naturalidade, revelando concentração ou descontração através dos movimentos é uma possibilidade de ganhar mais segurança para viver.

- Nunca me vesti só por vestir, mas para fazer um depoimento, todos os dias.

- Com menos dinheiro, você realmente constrói um guarda-roupa porque sabe, primeiro, que só pode comprar o que vai usar. Segundo, por uma questão prática.

- Jamais mostro meus braços porque o prazo de validade da pele venceu. Há uns vinte anos mais ou menos.

 Que saber mais? A íntegra da entrevista com a crítica de moda está no site  http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/

2 comentários para “Costanza Pascolato por ela mesma!”

  1. Não quero fazer um comentário e sim pedir uma ajuda à esta maravilhosa consultora de moda. Gostaria de comprar um sobretudo para poder usar neste inverno, mas tenho dúvidas quanto a minha altura e peso. E se ficaria bem. Tenho 1,58 de altura e peso entre 58 a 60k. Gostaria que me orientasse qual a forma mais certa de se usar o sobretudo com vestido, ou com calça. Que tipo de sapato ou bota devo usar. Preciso desta resposta o mais rápido possível. Obrigada, Susana.

  2. Stefanie disse:

    Olá Susana, como vai?

    O sobretudo fica bem com qualquer modelagem de calça, desde que ela seja comprida até o tornozelo. O ideal é um sobretudo preto, que cai muito bem com diversas cores de blusas e, é claro, emagrece.
    Sapato e bota é livre. Pode ser usado com botas de cano alto, como as de montaria, que são a última moda.
    Vestido? Depende do corte do sobretudo. O melhor é usá-lo com vestido longo. Outro detalhe, o tecido do sobretudo deve ser mais leve, caso ele seja usado com vestido.

    Espero ter-lhe ajudado.

    Um abraço.

    Stefanie Archilli

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